quinta-feira, 9 de março de 2017

Bombas de fragmentação brasileiras foram usadas no Iêmen, denuncia ONG

De acordo com a Anistia Internacional, coalizão árabe utilizou foguetes em ataque contra áreas residenciais e agrícolas

POR AFP
08/03/2017 23:03 / atualizado 08/03/2017 23:10
Iemenitas participam de protesto no Dia Internacional da Mulher na capital, Sana: "Parem a guerra, nossas crianças morrem", diz cartaz - KHALED ABDULLAH / REUTERS


SANA - A coalizão militar árabe que opera no Iêmen sob o comando saudita voltou a utilizar foguetes com ogivas de fragmentação fabricados no Brasil, acusou nesta quarta-feira a Anistia Internacional.

A organização de defesa dos direitos humanos afirma que a coalizão utilizou tais foguetes no dia 15 de fevereiro passado, em um ataque contra três áreas residenciais e zonas agrícolas na província de Saada (norte).

Os ataques contra a zona controlada pelos rebeldes xiitas houthis deixaram dois feridos, segundo a Anistia, que afirma que a coalizão já utilizou bombas de fragmentação no Iêmen em outubro de 2015 e maio de 2016.

As bombas de fragmentação trazem centenas de explosivos menores, que se espalham por uma ampla área e nem sempre explodem no ato, se transformando em um pesadelo de mutilação para a população civil.

A Human Rights Watch já havia denunciado, em dezembro passado, a utilização no Iêmen de foguetes brasileiros com ogivas de fragmentação, em um ataque que matou dois civis e feriu outros seis.

O ataque ocorreu um dia após a abstenção de Brasil, Arábia Saudita, Estados Unidos e Iêmen em uma votação na Assembleia Geral das Nações Unidas sobre a proibição do uso de bombas de fragmentação.

A coalizão árabe intervém militarmente no Iêmen desde março de 2015 para apoiar o presidente Abd Rabbo Mansur Hadi contra os huthis, aliados do ex-presidente Ali Abdallah Saleh.

Acusada regularmente de matar civis com seus bombardeios aéreos, a coalizão admitiu em outubro passado o "uso limitado" de bombas de fragmentação britânicas do tipo BL-755.

A guerra civil no Iêmen já deixou mais de 7.500 mortos e 40 mil feridos, segundo a ONU.

quarta-feira, 8 de março de 2017

AFP percorre a barreira monumental que separa EUA e México - ISTOÉ Independente


AFP percorre a barreira monumental que separa EUA e México

Vista aérea da cerca de metal a partir do estado de Chihuahua, México - AFP



A barreira vista de Dunes, Califórnia - AFP/Arquivos
AFP08.03.17 - 12h37

Com o debate sobre os planos do presidente Donald Trump de construir um muro entre os Estados Unidos e o México em ebulição, três fotógrafos da AFP decidiram percorrer a fronteira para oferecer uma visão mais próxima desta zona na berlinda.

Jim Watson, da redação de Washington, percorreu o lado americano; e Guillermo Arias, correspondente em Tijuana, junto com Yuri Cortez, chefe da fotografia da redação na Cidade do México, percorreram o lado mexicano.

Foram necessários dez dias para fazer o percurso de mais de 3.100 km de fronteira e realizar o AFP Border Project 2017.

Os jornalistas sentiram o medo despertado pelos cartéis de drogas no lado mexicano e uma calma inquietante no lado americano. Havia sinais de migrantes, mas, fora uma mulher com um bebê, ninguém à vista.

Também viram americanos cruzando a fronteira para o México em busca de serviços de saúde e medicamentos baratos e mexicanos indo para os Estados Unidos para trabalhar em fazendas.

Adolescentes gravando música junto ao rio. Pessoas deportadas dos Estados Unidos que vivem perto da fronteira porque o resto de sua família ficou do outro lado. Um homem caminhando com seu cachorro junto a uma rodovia, pensando em não parar até chegar à costa leste.

Nos dois lados da fronteira, nossos jornalistas encontraram a angústia ante a perspectiva de que um muro seja mesmo construído. Às vezes viam uma cerca imponente e uma barreira serpenteando ao longo do limite fronteiriço.

A seguir, uma versão resumida dessa aventura vivida pelos jornalistas da AFP. A versão multimídia completa pode ser lida em:

– Do lado americano-

Por Jim Watson

El PASO, Texas, EUA: Com tudo que li e ouvi sobre a fronteira entre os Estados Unidos e o México, visualizei uma zona limítrofe porosa, que dezenas de migrantes ilegais cruzavam todos os dias. Achava que diariamente ia ver gente correndo para o outro lado. Mas, durante os dez dias em que estive ali, não vi um único migrante ilegal.

De fato, quase não vi ninguém, exceto um homem, que decidiu caminhar acompanhado de seu cachorro do Texas até a Califórnia, ida e volta. Mas isso contarei adiante.

Algo que me chamou a atenção do nosso lado da fronteira foi o fato de ser inquietantemente silenciosa. Como uma zona morta, sem viva alma. Durante alguns dias, não conversei com ninguém. No final, acabou sendo uma cobertura muito solitária.

Quando ocorreu fazer esta história, não tinha uma ideia precisa de como via a fronteira entre os dois países. A maioria dos americanos também não sabe quanto de barreiras fronteiriças já existem. Ao longo de grande parte do caminho, há uma cerca de metal e sua extensão já é impressionante. As pessoas falam como se não houvesse nada ali, mas uma parte importante da fronteira já está fechada. Especialmente perto das zonas mais povoadas.

– No lugar deles –

Em um determinado ponto da viagem, vislumbrei um pouco do desespero sofrido pelas pessoas que cruzam a fronteira. Foi durante o terceiro dia, quando acabava de chegar às dunas Imperial, na Califórnia. Havia uma distância de cerca de 1,5 km até a barreira fronteiriça, onde uma equipe de construtores trabalhava. Pensei que poderia render boas fotos, por isso me aproximei.

Parei nas marcas que haviam sido deixadas pelo maquinário pesado, dessa forma meus pés afundavam na areia. Uma vez tiradas as fotos, dei meia volta na direção de meu carro alugado. O caminho de volta foi pior, a cada passo meus pés afundavam uns 15 centímetros, estava ensopado de suor e tinha esquecido minha garrafa de água no carro.

Foi então que acordei para a realidade. Era assim que deviam se sentir os migrantes, pensei. Eu só carregava duas câmeras, mas muitos deles carregavam seus filhos e seus pertences. Só havia atravessado uns 3 km, enquanto que os migrantes têm de caminhar através de um deserto implacável. Sabia que a garrafa de água me aguardava no carro, mas eles não sabem quando poderão beber algo.

Como alguém pode fazer isso?, me questionei. Devem estar loucos ou completamente desesperados. Ninguém faria isso apenas por fazer, realmente devem ter uma boa razão e isso deveria significar algo. Posso dizer que por alguns quilômetros me coloquei no lugar deles. Quase…

Os trabalhadores migrantes também me impressionaram. Conversei com alguns deles enquanto desciam de um ônibus em San Luis, Arizona. Um homem me contou que acorda todos os dias às 2 horas da manhã, cruza a fronteira, entra às 4 horas na fila para pegar o ônibus que o leva ao trabalho em uma plantação de alfaces. Trabalha dez horas, a dez dólares a hora. Volta para o ponto de ônibus às 5 horas da tarde, caminha um quilômetro até a fronteira e volta para casa no México, onde chega por volta das 8 ou 9 horas da noite. Faz isso diariamente. Pode imaginar esse tipo de vida. É simplesmente uma loucura.

Quando voltei para minha casa, comecei a pesquisar mais sobre o tema e encontrei um número impressionante de trabalhadores agrícolas nos Estados que são migrantes. Encontrei cifra que chegam a 45%.

Na periferia de El Paso, a fronteira é simplesmente monstruosa, a barreira é gigante, parece que o México está numa prisão.

Junto às zonas mais povoadas, a fronteira é muito segura. Mas definitivamente há buracos e espaços, que, obviamente, as pessoas cruzam, mesmo que eu não tenha visto ninguém fazê-lo.

O que entendi depois de conversar com as pessoas locais é que realmente não é preciso uma cerca fronteiriça para impedir o acesso dos migrantes, e sim das drogas. A barreira reduz o contrabando que cruza a fronteira e o canaliza lugares, espaços na cerca, onde a polícia pode reforçar sua presença.

– Do lado mexicano –

Por Guillermo Arias e Yuri Cortez

NOGALES, México: Yuri: Quando me falaram sobre fazer este projeto, pensei que dirigiria ao longo da fronteira o tempo inteiro. Mas, em seguida, percebi que não era uma boa ideia. A situação é tão perigosa do lado mexicano da fronteira que é preciso ter alguém que conheça a região. Então decidi trazer Guillermo. Vive e trabalha há anos perto da fronteira, conhece o local muito bem e tem contatos.

O aspecto mais difícil do lado mexicano é a segurança. Os cartéis de drogas controlam a maior parte da zona e alguns territórios são muito disputados. Eles têm olhos e ouvidos por toda parte. Quando veem alguém novo tirando fotos, ficam muito nervosos. É preciso ter muito cuidado com o que se faz.

– Ser precavido –

Yuri: Quando se chega a um local novo, é importante conhecer as pessoas – nas ruas, nos parques -, falar com elas sobre a situação do lugar que visita. É muito importante para a segurança.

A fronteira com os Estados Unidos é como a linha mortal para os migrantes. Primeiro há a geografia, quase toda a zona da fronteira é deserta, o que aumenta a dificuldade de cruzá-la. Depois há a criminalidade dos cartéis de drogas do lado mexicano, que torna os imigrantes ilegais mais vulneráveis, e a Patrulha Fronteiriça do lado americano.

Os traficantes de drogas controlam a zona e os “falcões” (espiões) informam os traficantes sobre todos os movimentos registrados, incluindo onde as pessoas vão e com quem falam.

Sou de El Salvador e cada vez que estou na fronteira penso como deve ser difícil para os migrantes da América Central chegar até aqui. Eu chego em algumas horas. Eles têm que cruzar todo o México sem documentação legal, expostos à corrupção das autoridades locais, aos criminosos e aos cartéis. Quando cruzei de Ciudad Juárez a El Paso, um agente de imigração me disse: “Como é raro ver salvadorenhos cruzando com visto”.

Guillermo: Normalmente quando chego a um lugar, falo com as pessoas para que saibam o que estou fazendo. É importante não enviar uma mensagem errada porque os cartéis não brincam. Pode acabar morto. Costumo precisar de dois dias para que se acostumem com minha presença e eu possa trabalhar sem problemas.

Mas neste projeto concreto não tínhamos esse luxo. Foi muito rápido porque seguíamos Jim do outro lado da fronteira. Em alguns lugares com sorte tínhamos duas horas para fotografar. Foi algo que me preocupou, para ser sincero. Por sorte, não tive muitos problemas.

Mas na metade do caminho, em Nogales, vivi um dos momentos mais aterrorizantes desde que sou repórter.

– Se correr o bicho pega –

Guillermo: Estava fazendo imagens com a última luz do entardecer na rua International, que fica na fronteira.

Havia pinturas na cerca fronteiriça que achei interessante. Estão na mesma área onde a Patrulha da Fronteira (Border Patrol) atirou em um rapaz de 16 anos em 2012. E onde também, há alguns meses, a televisão local exibiu imagens do tráfico de drogas.

Acredito que isso colocar aqueles que controlam a zona em um estado de rejeição à imprensa. Muitas vezes as coisas acontecem sem que você perceba. Então você tem que ter muito cuidado e fazer contatos antes.

Quando eu estava fotografando, parou a poucos passos de mim uma van azul com janelas pintadas e luzes acesas. Ouvi os pneus cantarem. Se deteve. Eu não conseguia ver nada pelos vidros escuros. Ninguém saiu. Fiz uma última foto e caminhei lentamente em direção ao meu carro. Quando dei partida, a van começou a me seguir. Parei para tirar outra foto. E, finalmente, o veículo se foi.

Depois veio outro veículo, uma caminhonete que também tinha janelas pintadas. Ele parou em uma esquina próxima, com as luzes acesas. Fotografei novamente e disse a mim mesmo que era hora de voltar para o hotel. Dirigi lentamente, muito lentamente, 10 km/h.

Dirigi tão devagar por duas razões. Em primeiro lugar, porque se não era algo comigo acabariam por se cansar e me deixar. Quando alguém dirige a 10 km/h durante 15 quarteirões, é porque você realmente está sendo seguindo. E em segundo lugar, é muito importante não correr nesse tipo de situação, porque quando corre você se torne presa.

Há muito tempo não vivia algo assim e, para ser honesto, estava muito nervoso. Na maioria das vezes, eles enviam alguém para avisá-lo. É mais fácil, porque você tem alguém na sua frente com quem você pode interagir. Você pode explicar o que está fazendo e pode perguntar o que deve fazer para evitar problemas.

Mas neste caso… Senti muito medo.

Depois falei com um jornalista local e decidi fazer a viagem especialmente do lado americano e cruzar para o México apenas para tirar fotografias para este projeto. Quando cruzei a partir de Nogales para ir para Douglas, no Arizona, senti muita raiva.

Fiquei muito irritado porque me senti mais seguro do lado americano que em meu próprio país. “Como pode ser?”.

O México é um grande país com boas pessoas, mas fomos sequestrados, os criminosos tomaram conta do nosso país.

– As drogas afetam tudo –

Guillermo: O sentimento generalizado que encontrei nesta travessia é que as pessoas e as drogas continuarão atravessando a fronteira, com ou sem muro, por cima ou por baixo. Trabalhei na fronteira por muitos anos e muitas coisas mudaram neste período: mais barreiras, mais cercas, mais agentes de segurança, menos imigrantes, mais narcotraficantes. O que não muda é a dinâmica da fronteira. As cidades fronteiriças são dependentes umas das outras, seja por causa das milhares de pessoas que cruzam Tijuana a cada dia para trabalhar em San Diego ou pelos americanos aposentados que vão até Algodones para tratamento com um dentista barato.

A maioria dos agentes de fronteira americanos com os quais conversei não acreditam que o muro é necessário, mas gostariam de ter mais funcionários para formar um muro humano, no sentido figurado. Em muitos lugares existem barreiras naturais, como o rio ou as montanhas. Ou seja, a barreira física não é necessária. Em outros pontos tampouco é necessária porque os migrantes demoram vários dias andando para chegar a algum vilarejo ou estrada, onde geralmente os agentes de fronteira os aguardam para a detenção.

– Pessoas no caminho –

Guillermo: O mais surpreendente que vimos foi perto de Ojinaga.

Yuri: A principio acreditamos que era alguém pescando, mas quando nos aproximamos vimos que era uma jovem.

Percebi que carregava seu bebê e pretendia atravessar o rio.

Guillermo: Paramos o carro e tentamos não chamar a atenção. Ela entrou na água e começou a caminhar, com o bebê nos braços. Não nos aproximamos porque não queríamos delatá-la, nem que ela ficasse assustada e caísse com o bebê. Foi a coisa mais louca que vi durante este projeto. Você não espera ver uma mulher entrar no rio com o bebê no colo e alcançar a outra margem.

Este blog foi escrito com a colaboração de Yana Dlugy em Paris

segunda-feira, 6 de março de 2017

Violência sexual, exploração e morte: o drama de mulheres e menores em rota de refugiados - BBC Brasil

Paul AdamsDa BBC News

28 fevereiro 2017
Direito de imagem UNICEF/ROMENZI Image caption - Muitas crianças migrantes são detidas em prisões da Líbia.

Crianças e mulheres refugiadas e imigrantes sofrem situações de violência sexual, exploração e abusos ao longo da rota do norte da África à Itália, alerta um novo relatório da Unicef, a agência da ONU para crianças.

O documento A Deadly Journey for Children (Uma jornada mortal para crianças, em tradução livre) reúne depoimentos de africanos e revela que três em cada quatro crianças contaram terem sofrido agressões e abusos durante a travessia para a Europa.

Além disso, quase metade das mulheres e crianças denunciou abuso sexual, que ocorreu múltiplas vezes e em diferentes locais do trajeto.

"O que acontece com estas crianças durante a viagem realmente chocou a equipe da Unicef e a mim", afirmou Justin Forsyth, diretor-executivo adjunto da organização.

"Muitas destas crianças foram agredidas, estupradas e mortas durante o trajeto".

Meninas como Kamis, de 9 anos, que abandonou a Nigéria junto com a mãe. Na costa da Líbia, a família pagou a contrabandistas US$ 1.400 (R$ 4.350) pela viagem de barco rumo à Itália.

Complicações da viagem levaram o barco a ser resgatado. Kamis, então, acabou detida e encaminhada à prisão de Sabratha, na Líbia, onde ficou por cinco meses.

"Eles batiam na gente todos os dias", contou Kamis aos pesquisadores da Unicef. "Não havia comida nem água".

"Aquele lugar é muito triste, não tem nada lá", disse ainda.
Direito de imagem UNICEF / ROMENZ IImage caption - Migrante olham por trás das grades em prisão da Líbia; em 2016, mais de 180 mil migrantes cruzaram a Líbia rumo à Itália.

Sua mãe, Aza, conta ter deixado a Nigéria pela falta de emprego, mas não sabia que a viagem seria tão perigosa.

"Não me disseram a verdade. Não me disseram os riscos envolvidos, e as dificuldades que eu iria enfrentar", afirmou.

Prisões de imigrantes

O governo coordena 24 prisões na Líbia que recebem imigrantes ilegais. Outros grupos armados também detêm imigrantes em pelo menos outros dez locais não oficiais.

"Os centros de detenção que são geridos por milícias que nos preocupam", disse Forsyth. "Lá é onde muitos abusos estão acontecendo e onde nosso acesso é muito limitado".

Um policial do governo líbio contou que algumas prisões controladas por milícias recebem dinheiro do governo para comprar mantimentos e roupas aos imigrantes.

"Em Trípoli, uma das milícias mais poderosas é conhecida como Sharikan, e ninguém pode chegar perto das áreas controladas por eles", conta o policial.


"Eles fingem prender os imigrantes que são ilegais e os mantém em seus centros por um tempo. Eles tiram o dinheiro deles, e os deixam sem comida ou água. Depois, levam-nos a Garanulli, onde balsas estão à espera".

"Não temos poder sobre estas prisões. Não podemos chegar perto pelo risco de sermos mortos", conta.

Os migrantes tornam-se vítimas de tráfico humano. A maioria são mulheres e crianças, segundo a ONU. Muitas das vítimas acabam forçadas à prostituição.
Rota do Mediterrâneo

Refugiados e imigrantes de países africanos que deixam suas casas rumo à Itália geralmente percorrem um caminho de mil quilômetros cruzando a Líbia, desde o deserto, ao sul, até a costa mediterrânea, ao norte.

Em seguida, atravessam mais de 500 quilômetros pelo mar até a Sicília, no sul da Itália.
Direito de imagemvUNICEF / ROMENZI Image caption - Migrantes na Líbia correm o risco de caírem nas mãos de guanges e redes de prostituição.

Ano passado, 4.579 pessoas morreram neste trajeto conhecido como rota de migração do Mediterrâneo Central. Pelo menos 700 crianças estavam entre os mortos, segundo a Unicef.

A rota é controlada por redes criminosas que lucram com o deslocamento de refugiados e imigrantes ilegais.

A maioria das mulheres - segundo o relatório - disse ter pago contrabandistas no início da viagem, contraindo dívidas e ficando mais vulneráveis a abusos e tráfico de pessoas.

"Crianças não deveriam ser forçadas a colocar suas vidas nas mãos de contrabandistas porque simplesmente não há alternativas", cobrou Afshan Khan, diretor regional da Unicef e coordenador especial da Resposta à Crise de Refugiados na Europa.

Os pontos de controle nas fronteiras da Líbia estão entre as áreas mais perigosas, onde a "violência sexual se tornou generalizada e sistêmica", diz o relatório.
'Mataram meu filho enquanto ele brincava': a vida em uma cidade síria sitiada
Unicef: 230 milhões de crianças não existem oficialmente

Mais de um terço das mulheres e crianças entrevistadas disse que os abusadores usavam uniformes ou pareciam associados a a alguma força armada. Por isso, a maioria não denunciou os abusos a autoridades.

As histórias de estupro e escravidão sexual se tornaram tão comuns que algumas meninas e mulheres que se aventuram na jornada já tomam precauções, como levar injeções contraceptivas ou levar pílulas de contracepção de emergência com elas.
Crianças desacompanhadas

Em 2016, mais de 180 mil migrantes cruzaram a Líbia rumo à Itália. De acordo com a ONU, 26 mil eram crianças, a maioria desacompanhada.

Issaa, de 14 anos, saiu sozinho da Nigéria há dois anos e meio, mas também acabou numa prisão na Líbia.

"Meu pai juntou dinheiro para a minha viagem, desejou boa sorte e me deixou ir", contou aos pesquisadores.

"Queria cruzar o mar, buscar emprego, e trabalhar duro para ganhar algum dinheiro e ajudar meus cinco irmãos que ficaram em casa".

A Unicef cobra mais esforço de organizações para proteger as crianças na Líbia e nos países vizinhos. Uma iniciativa regional, diz o relatório, incluiria um melhor registro de nascimento, a prevenção do tráfico, caminhos seguros e legais para as crianças que fogem de conflitos armados e, quando apropriado, o reagrupamento familiar.

domingo, 5 de março de 2017

ONG: lei antidrogas foi gatilho para superpopulação carcerária no Brasil | Internacional | EL PAÍS Brasil

Segundo Humans Rights Watch, regras sem clareza elevaram detenções indevidas no país

SILVIA AYUSO / AGÊNCIAS

Washington / São Paulo 12 JAN 2017 - 18:01 BRST


A organização internacional Human Rights Watch (HRW) apontou os líderes populistas como uma das principais ameaças para os direitos humanos e a democracia no Ocidente. Em seu relatório anual, divulgado nesta quinta-feira, a ONG denuncia que na Europa e Estados Unidos está crescendo a rejeição aos imigrantes, da qual se aproveitam muitos políticos para propor deixar de lado os direitos fundamentais em nome do que “o povo” quer. O relatório critica também a frágil resposta de líderes internacionais e a ascensão do autoritarismo, particularmente nos Estados Unidos, com a eleição de Donald Trump. Também sobraram críticas para a crise do sistema carcerário no Brasil, "uma tragédia anunciada", segundo a ONG.


A diretora do Human Rights Watch no Brasil, Maria Laura Canineu, divulga o relatório. ANTONIO LACERDAEFE


"Entrar em uma prisão brasileira é uma volta no tempo, voltar à Idade Média, com celas escuras, sem ventilação, insalubres e onde a proliferação de doenças é fácil, como a tuberculose", além dos problemas de alimentação e falta de água, afirmou César Muñoz, pesquisador da HRW, durante a apresentação do capítulo brasileiro do relatório anual da organização.

Os problemas do sistema penitenciário brasileiro ficaram expostos nos primeiros dias de 2017, quando vários enfrentamentos entre facções rivais deixaram dezenas de mortos em cárceres do norte do país. "A obrigação do Estado é cuidar as pessoas sob sua custódia, separar aos presos", algo que não se produz atualmente no Brasil, lamentou o pesquisador.

A diretora de HRW no Brasil, Maria Laura Canineu, criticou a Lei de Drogas em vigor no país, aprovada em 2006, que endureceu as penas para traficantes e supostamente as amoleceu para usuários, embora tenha aberto brechas que permitem aos juízes aplicar critérios subjetivos e multiplicaram a população carcerária.

Segundo o relatório, enquanto em 2005 apenas 9% dos presos no Brasil foram condenado por drogas, em 2014 a cifra subiu para 28%, porque a falta de clareza na lei faz que muitos usuários sejam condenados como se fossem traficantes. O capítulo brasileiro do relatório critica ainda a "violência policial", especialmente em regiões como a do Estado do Rio de Janeiro.
Populismo

O diagnóstico da HRW sobre populismo busca chamar a atenção para a questão. Mostra que nos países ocidentais muitas pessoas se sentem excluídas pela crescente desigualdade, incomodadas com uma diversidade étnica e religiosa cada vez maiores e atemorizadas pelos episódios de terrorismo, de modo que começam a achar que os Governos não estão atendendo às preocupações da população. “Um segmento cada vez mais amplo do público considera que os direitos protegem somente essas “outras” pessoas, em vez de elas mesmas e, por isso, acredita que se pode prescindir deles. Os populistas sugerem que, se a maioria deseja limitar os direitos de refugiados, imigrantes e minorias, então deveriam ser livres para fazer isso”, explica.

“Nós nos esquecemos — por nossa conta e risco­ — dos demagogos do passado: os fascistas, comunistas e outros de sua classe que argumentavam conhecer mais que os outros o que convinha à maioria, mas terminaram esmagando o indivíduo", adverte a HRW.

O documento lamenta que os próprios líderes mundiais pareçam ter perdido a confiança nos valores dos direitos humanos e estejam fazendo pouco para frear o avanço do populismo. Assinala que somente a chanceler (primeira-ministra) alemã, Angela Merkel, o primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, e o presidente dos EUA, Barack Obama, fizeram uma firme defesa. Enquanto a primeira-ministra britânica, Theresa May, condenou os advogados que questionaram as torturas cometidas pelas Forças Armadas no Iraque, o presidente francês, François Hollande, teve a iniciativa de retirar a nacionalidade francesa de quem tivesse outra, embora logo depois tenha recuado.

A entidade coloca Donald Trump como a materialização da política da intolerância e do risco de passar por cima dos direitos humanos, como no caso dos métodos de tortura. “Declarou que estava disposto a ordenar que se apliquem torturas ‘se esse for o desejo do povo estadunidense’. Aparentemente, ele seria o privilegiado intérprete desse desejo, ao mesmo tempo que desconsideraria as leis e os tratados que proíbem infligir tal brutalidade`”, ressalta.

Compara o autoritarismo de Trump com a maneira como Vladimir Putin tem dirigido a Rússia, Xi Jinping, a China, e outros autócratas com tendências repressivas, como na revolução bolivariana na Venezuela.

SÍRIA, A MAIOR VIOLAÇÃO DE DIREITOS HUMANOS

Em sua análise de 20 países e da União Europeia, a Human Rights Watch afirma que a “Síria representa, talvez, a ameaça mais letal aos padrões de direitos humanos”, pois não se respeitou a regra mais elementar da guerra, que é a de não atacar a população civil.

A ONG critica que “quando se trata da Síria, o Ocidente continua principalmente focando no Estado Islâmico”, mas na realidade as forças do presidente Bashar al Assad e seus aliados russos causaram 90% das mortes de civis, segundo fontes locais. Lamenta que o Governo de Obama não tenha pressionado a Rússia para que não aderisse à estratégia de Assad e que seu sucessor, Trump, pareça decidido a focar somente em atacar o Estado Islâmico e até proponha uma união com Putin e o regime sírio nesse esforço.

Justiça Interamericana monta ‘supercaso’ contra presídios brasileiros | Brasil | EL PAÍS Brasil


Corte da OEA decide unificar quatro casos de violações de direitos humanos em presídios do país em um só, e cobra explicações



A precária situação do sistema carcerário brasileiro, que no primeiro mês do ano viveu três massacres que deixaram mais de uma centena de mortos, está na mira da Corte Interamericana de Direitos Humanos. A Corte, que faz parte da Organização dos Estados Americanos, tomou uma decisão inédita e juntou quatro casos de violações nos presídios brasileiros em um único supercaso. Os episódios, que já eram alvo de análise do colegiado, dizem respeito aos complexos penitenciários do Curado, em Pernambuco, e Pedrinhas, no Maranhão, ao Instituto Penal Plácido de Sá Carvalho, no Rio de Janeiro, e à Unidade de Internação Socioeducativa no Espírito Santo - este último para jovens infratores com menos de 18 anos.

Presos amontoados em Pedrinhas, no Maranhão.


O caso de Pedrinhas é o mais famoso dos quatro: o presídio foi palco, entre novembro e dezembro de 2013, de uma série de rebeliões que deixaram 22 presos mortos, muitos deles decapitados. A decisão de unir os quatro casos que tramitam aproximadamente desde 2014 na Corte em um se justifica, segundo o documento assinado pelo presidente do órgão, Eduardo Ferrer Mac-Gregor Poisot, porque “a distância geográfica entre os estabelecimentos penitenciários cujas condições são objetos de medidas provisórias e seu pertencimento a diferentes regiões do país indicaria que se trata de um fenômeno de maior extensão do que os quatro casos trazidos a esta Corte”. Mais à frente, o texto fala que existe no Brasil um “indício de eventual generalização de um problema estrutural de âmbito nacional do sistema penitenciário”.


Os juízes da Corte afirmam ainda que as condições nos presídios brasileiros “configurariam possíveis penas cruéis, desumanas e degradantes, violadoras da Convenção Americana de Direitos Humanos”, da qual o país é signatário. “É uma decisão inédita da Corte [de juntar os casos], que demonstra que o que acontece no sistema prisional não pode ser considerado uma crise, é uma falência crônica”, afirma Henrique Apolinario, advogado do programa de justiça da ONG Conectas, uma das entidades que levaram o caso de Pedrinhas à Corte.

A Corte intima o Brasil a responder 52 perguntas sobre a situação dentro dos cárceres, que vão desde dados estatísticos sobre mortes dentro das unidades até informações sobre corrupção de agentes penitenciários e proteção aos presos LGBTs. O Governo tem até o dia 31 de março para responder os questionamentos.

Além disso, o documento cobra que o Estado brasileiro adote sete medidas para desafogar o sistema e garantir condições dignas para os detentos. Entre elas estão políticas para “limitar ou reduzir o número de presos em detenção preventiva [que não foram condenados ainda]”. Dados do Departamento Penitenciário Nacional apontam que 40% dos 622.202 detentos brasileiros são provisórios. A Corte também cobra medidas urgentes para “reduzir a superpopulação carcerária”: a taxa de ocupação das vagas no sistema no Brasil é de 167%.

Caso o Governo não dê respostas adequadas aos questionamentos ou não aja para melhorar as condições do sistema, a Corte pode aplicar multas e sanções, além de obrigar o Estado a indenizar os presos destas unidades. Este mês o Supremo Tribunal Federal teve um entendimento semelhante, e determinou que Anderson Nunes da Silva, 41 anos, fosse indenizado em 2.000 reais pelas condições degradantes nas quais cumpriu pena por sete no Mato Grosso do Sul. A decisão abriu um precedente para que milhares de detentos e ex-detentos acionem o Estado na Justiça.

Os juízes que integram o colegiado devem vir ao país nas próximas semanas para visitar os estabelecimentos citados no supercaso e coletar informações para uma audiência com o Governo e as entidades que acionaram a Corte em maio.

No início deste ano o rompimento entre as facções criminosas Primeiro Comando da Capital e Comando Vermelho, originárias de São Paulo e do Rio de Janeiro, respectivamente, levou o caos aos presídios do Norte do país. O primeiro e mais violento episódio ocorreu no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), em Manaus, e deixou ao menos 56 mortos, a maioria deles ligados ao PCC. Foi o segundo maior massacre do sistema prisional desde a chacina do Carandiru, ocorrida em São Paulo em 1992, que deixou um saldo de 111 mortos. A crise no Compaj foi seguida por episódios de violência na penitenciária Agrícola de Monte Cristo, em Roraima, e em Alcaçuz, no Rio Grande do Norte.

domingo, 25 de setembro de 2016

The Broken Policy Promises of W. Bush, Clinton, and Obama | Foreign Policy

And why, from the Persian Gulf to Iraq to Syria, Americans haven’t gotten — and won’t be getting — the foreign policy they want.
SEPTEMBER 18, 2016



What do Americans want from the country’s foreign policy? The same things that most countries want: security first and foremost, followed by prosperity, and (if possible) the sense that the country is advancing desirable political or moral values. Some Americans also think it’s nice if the United States wins a lot of medals at the Olympics, enjoys a certain status as “leader of the free world,” and even stages a few spectacular symbolic events like landing a live human on the moon. But mostly they want to be safe, reasonably comfortable, and to believe their country is on the side of the angels.

But as I look back at the last three presidential administrations and I contemplate the utterly bizarre campaign that is going on before our disbelieving eyes, what strikes me is how each of the three post-Cold War presidents failed to give the American people the foreign policy that they promised when they ran for office. In each case, in fact, the candidate promised a more restrained, sensible — dare I say “realist”? — foreign policy, and in each case they delivered an overly ambitious, decidedly unrealistic, and largely unsuccessful product. Some failed worse than others (see under: George W. Bush) but none gave the American people the foreign policy they promised or that the people seem to have wanted.

Think back to 1992. Running against George H.W. Bush, whose foreign-policy credentials and achievements were undeniably impressive, Bill Clinton told Americans “it’s the economy, stupid” and promised to spend the “peace dividend” here at home. But once in office, he couldn’t resist the siren song of liberal hegemony. He expanded NATO eastward, which just gave America more weak countries to protect and did little to enhance U.S. security, and he embraced “dual containment” in the Persian Gulf, which added even more to U.S. defense burdens and helped persuade Osama bin Laden to direct his attention toward the “far enemy” and put the country on the path toward 9/11.

To be sure, 
Clinton was wary of costly international quagmires and refused to send U.S. ground troops anywhere really dangerous.Clinton was wary of costly international quagmires and refused to send U.S. ground troops anywhere really dangerous. His strategy of “engagement and enlargement” rested on the assumption that spreading democracy and expanding U.S. security guarantees would be cost-free, because democracies wouldn’t fight each other, Russia would remain weak forever, and all those new multilateral guarantees would never have to be honored. Clinton also got lucky, insofar as the consequences of some of his missteps (such as 9/11 and Russian revanchism) didn’t come home to roost until he was safely out of the White House.



Next, consider the 2000 election. Running against Vice President Al Gore and lacking foreign-policy experience, George W. Bush sounded a modest and realistic note throughout the campaign and relied on the so-calledVulcans, several of whom had decidedly realist pedigrees. He promised Americans a foreign policy that would be strong but “humble,” and both he and his advisors chided Clinton and Gore for their misguided efforts at “nation-building.” In short, Americans were told that Bush would focus on great power politics, avoid messy quagmires in countries of marginal strategic importance, and keep our powder dry.

Bush’s good intentions were blown off course completely by two distinct factors. First, instead of relying on realists from the Brent Scowcroft/Colin Powell wing of the Republican Party, he allowed Dick Cheney to populate his administration with neoconservatives who had greater ambitions and even worse judgment than the Clintonites. Second, the 9/11 attacks allowed the neocons to convert Bush to their misguided worldview and pave the way to the disastrous quagmires in Iraq and Afghanistan. Instead of giving Americans the foreign policy they had voted for, Bush, Cheney, and the neocons gave them the absurd goal of trying to transform the Middle East and then spread liberty throughout the world. We all know how well that worked.

Fast forward to 2008. A little-known senator from Illinois runs a successful upstart campaign, based in part on his undeniable eloquence but also on the singular fact that he had opposed the Iraq war from the start. He vows to end that war and, more importantly, to rebuild America’s troubled relations with the rest of the world by embracing a more sensible, farsighted, and realistic foreign policy. Given what had happened in Iraq and also Afghanistan, surely he would heed the wishes of the American people (and the lessons of these latest experiments in nation-building) and not repeat his predecessors’ errors. And surely this former lecturer in constitutional law would correct the excesses of the Bush/Cheney era: closing Gitmo, ending torture, halting warrantless surveillance, reducing secrecy, and running a transparent and accountable government.

But that didn’t happen, either. Obama gave some great speeches, and his eloquence and evident idealism did win over publics in a number of places (and especially the Norwegian Nobel Committee). To his credit, he also led partly successful efforts to address climate change, nuclear security, and Iran’s nuclear program. But he increased U.S. reliance on targeted killings, prosecuted more whistleblowers than Bush did, and refused to hold top official national security officials accountable when they deceived the public. He approved an ill-conceived “surge” in Afghanistan to no good purpose, waffled in his response to the Arab Spring, backed a foolish intervention in Libya that created a failed state, and has been unable to fully disengage from the tar baby in Iraq. His efforts to advance an Israeli-Palestinian peace came to naught for the same reason that the previous 20 years of U.S. “peace processing” had failed: AIPAC and the rest of the Israeli lobby made it impossible for Washington to be a genuine, honest broker or to halt the endless expansion of Israeli settlements.

To be sure, Obama kept the United States out of Syria and has taken a measured approach toward the crisis in Ukraine. This good judgment has led hawks to criticize him for “weakness” and to claim that excessive U.S. restraint is creating a more dangerous world. Predictably, such views are echoed by client states that have become accustomed to Uncle Sucker’s protection and that are quick to complain about our credibility whenever Washington refused to do their bidding. But as Daniel Larison points out, the claim that the United States is retreating “makes the slightest sense if the point of comparison is the height of the Iraq war 10 years ago, and even then it’s risible.” Will Ruger unpacks the charge and demolishes it:

“[T]he United States under Obama has continued to pursue a variant of primacy despite what [Robert] Lieber and others keep saying in their critiques. The United States is still committed to defending over 60 other countries and commanding the global commons. It still has a forward-deployed military living on a globe-girdling network of hundreds of military bases. In fact, it has recently sent more troops and equipment to Iraq, Eastern Europe, and even Australia. The United States still enjoys the world’s strongest military force, costing taxpayers around $600 billion a year. This sum represents nearly a third of all global spending and is equal to that of at least the next 10 countries combined. Its nearest competitor, China, spends far less, about $150 billion. And during the Obama years, the United States surged forces in Afghanistan, fought a war against Libya that led to regime change, re-entered Iraq and engaged (even if tepidly) in Syria, supported Saudi Arabia’s dubious fight in Yemen, continued to conduct drone strikes abroad, became unprofitably enmeshed diplomatically in Ukraine’s troubles, and continued to exert its power and influence in Asia. And just recently the U.S. again bombed targets in Libya. Retreat, you say?”

In short, Obama has hardly run a left-wing foreign policy, or one that departed from the broad establishment consensus about American exceptionalism and its alleged indispensability as the provider of global order.

Which brings us to 2016. 
Once again, the American people seem to want a foreign policy that is less hyperactive and a lot more effective.Once again, the American people seem to want a foreign policy that is less hyperactive and a lot more effective. A Pew Research Center survey in April found that 57 percent of Americans think the United States should “deal with its own problems and let other countries deal with theirs the best they can,” and 41 percent thought the country was doing “too much” in world affairs while only 27 percent thought it was doing “too little.” And as was the case in 1992, 2000, and 2008, we have one candidate (Trump) suggesting — however incoherently — that he’d do a bunch of things differently. He’d stop allies from free-riding, stay out of the nation-building business, and (supposedly) browbeat friends and foes alike on the force of his personality alone. This might sound good at first hearing, but anyone who believes he’d do any of these things effectively is precisely the sort of gullible customer that Trump has conned throughout his checkered business career. Caveat emptor.



And then there’s Hillary Clinton. She’s been a hawkish internationalistthroughout her political career, and believes it is better for the United States to try and fail than not to try at all. And her large foreign policy team is chock-full of bright-eyed liberal internationalists who are convinced the United States can solve lots of vexing international problems in places it doesn’t understand if only they get the chance.

But even Clinton recognizes that support for liberal hegemony is soft, which is why she told an audience last week that the United States would “never” send ground troops back into Iraq. But one may question whether she’d stick to that statement — especially if she continues to listen to the people who have advised her in the past and are likely to do so in the future.

So why don’t Americans get the foreign policy they want? One could argue that it is because the American people don’t know enough about foreign policy, and so they have to leave it to the experts in the foreign-policy establishment. That is certainly possible, but this explanation would be a lot more persuasive if that same establishment hadn’t blown it big-time repeatedly in recent years, and for the same reasons (inflating threats, exaggerating the utility of military force, being too deferential to allies of little strategic value, and letting domestic politics override broader strategic considerations).

The real reasons Americans don’t get the foreign policy they want are threefold.

First, because the country is still so wealthy and so secure, it is mostly immune from the consequences of its foreign-policy follies. Other countries may suffer grievous harm when the United States miscalculates, but most Americans don’t.

Second, the United States built a lot of global institutions, took on a lot of global burdens, and created a large set of national security organizations during the Cold War. The status quo is well-entrenched, and that helps explain why U.S. leaders are loath to abandon attitudes, commitments, and policies that have been in place for decades, even though the condition of the world has changed in a number of important respects.

Third, America’s foreign-policy establishment — to include the usual government bureaucracies, interest groups, think tanks, schools of public policy, charitable foundations, and a lot of the media — is deeply committed to liberal hegemony both for idealistic reasons and because it maximizes their own power and status. Dissenting voices do exist (as this column often proves), but they are a distinct minority. Or as scholars Benjamin Page and Marshall Bouton observed some years ago, there is a persistent “disconnect” between elite and mass opinion on foreign policy, and “official U.S. foreign policy often differs from the policies most Americans want.” And in American politics, when a well-positioned minority believes strongly in a particular approach and the public at large is indifferent or only intermittently engaged by the issue, the minority usually wins.

And that, my fellow Americans, is why you aren’t getting the foreign policy you want or deserve.

Photo credit: ALEX WONG/Getty Images

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

South Sudan: Surviving on goat bones and water lilies - News from Al Jazeera


Nearly half of the war-torn country is facing "catastrophic" food shortages, aid group warns.

After a visit to South Sudan earlier this month, the UN said hunger has reached "unprecedented" levels [AP]

Tens of thousands of people in South Sudan are on the brink of starvation with many living in swamps and surviving on water lilies and goat bones.

A hunger crisis affecting an estimated 4.8 million people could turn catastrophic unless humanitarian relief is urgently stepped up, Mercy Corps country director Deepmala Mahla warned.

"The situation is dire," she said.

Mahla said the worst of the hunger is in the south of Unity State, where people have moved deep into swamp areas.

"People have been surviving for weeks, maybe months, just eating water lilies. People are also cooking goat skin and bones because there is nothing else," she said, adding about 40,000 people are at risk of dying unless swift action is taken.

S Sudan: Aid workers caught in the crossfire

"It doesn't take much time for a crisis to become a catastrophe. It's a race against time."

In the capital Juba, vegetable traders are now cutting tomatoes in half to sell because some customers can no longer afford to buy a whole one, Mahla said.

The crisis has been fuelled by nearly three years of war that has killed thousands, uprooted more than two million people, and disrupted markets. Inflation is at 661 percent - the highest rate in the world, Mahla said.

The fighting pits supporters loyal to President Salva Kiir against allies of his former deputy, Riek Machar. The pair signed a shaky peace deal a year ago but violence continues.

Mahla said the difficulties of delivering aid in a country the size of France with only 200km of paved road were compounded by increasing assaults on aid workers.

South Sudan had more attacks on aid workers than any other country last year, including shootings, rapes and mass lootings. At least 57 aid workers have been killed since the end of 2013 and many more are missing.

Across South Sudan many people have been uprooted multiple times meaning they cannot farm their land. Around South Sudan UN peacekeepers are protecting nearly 200,000 people at six compounds.

One third of children are out of school with girls being pulled out first to be married off in exchange for cows.

The United Nations estimates that half of the 12 million people in South Sudan, which gained independence from Sudan in 2011, are going hungry because of the conflict, poor rains, and a battered economy.

A version of this story first appeared on the Thomson Reuters Foundation news site

The South Sudanese student who spent her summer saving refugees | World news | The Guardian

Betty Asha left her home and studies behind to help nearly 2,300 people escape violence and cross the border into Uganda
 
Betty Asha with Viola, 12, who she safely evacuated from South Sudan and lives with in an apartment in Kampala. Photograph: Adam Bemma


Adam Bemma in Kampala

Monday 12 September 2016 07.00 BST

Betty Asha’s phone rings constantly. Each time she picks up, a voice on the other end asks for help, and each time, she springs into action.

Asha, 23, has become an unlikely hero in the conflict that has gripped South Sudan since July, when warring factions of the ruling Sudan People’s Liberation Movement (SPLM) clashed outside the presidential compound before celebrations to mark the fifth anniversary of independence.

When the fighting spread from Juba, the capital of South Sudan, and reached her home city of Yei, close to the borders with Uganda and the Democratic Republic of Congo, Asha decided to act. Reports of targeted civilian killings had begun to surface, she said, perpetrated by both sides of the SPLM – those loyal to the president, Salva Kiir, from the Dinka tribe, and those supporting the former vice-president Riek Machar, from the Nuer tribe.

In her first week on the border, Asha successfully brought 800 people from Pukuka village to safety in Uganda

Receiving distress calls from friends and family in her village, Asha left behind her studies and small apartment in Kampala and travelled north to the border between Uganda and South Sudan.

For the next month, Asha worked to coordinate the safe evacuation of 2,296 refugees across the border, a figure confirmed by the Ugandan prime minister’s office and refugee agencies working in the area.

With the help of Chris Hurley, an American sponsor, she arranged four lorries and 10 motorbikes to make numerous trips transporting people.

In her first week on the border, Asha successfully brought 800 people from Pukuka village to safety in Uganda. Over the next three weeks, she helped a further 1,496 Yei residents reach refugee camps after word of her hasty evacuation plan spread.

“When they arrived at Oraba, I was there to pay the drivers. It was also my responsibility to feed everyone, to be with them and to see that everybody was safe,” Asha said. “I took them straight to the UN reception centre.”

Most of the South Sudanese refugees she helped are settled at Rhino camp near Arua, in north-west Uganda, including Asha’s mother and five siblings.


They are the latest of more than 88,000 South Sudanese refugees to seek asylum at the border since early July. UN field coordinator Jens Hesemann said: “I thought the number of refugees from South Sudan was going down, but it has spiked.”

Ugandan refugee laws grant new arrivals the freedom to live anywhere in the country, either in a refugee settlement or a town. The UN has described this policy as a “model for Africa”.
South Sudanese families shelter at the Rhino refugee camp near Arua, Uganda. Photograph: Isaac Kasamani/AFP/Getty Images

Hurley met Asha six years ago when he visited southern Sudan as part of a church trip from Tennessee. Missionaries have played a key, if controversial, role in Sudan since the 19th century. They helped form a large Christian minority there prior to the separation in 2011. Many believe that this contributed to the religious unrest that caused the two Sudanese civil wars.

Hurley supports Asha’s studies and paid for the evacuation of the 2,296 South Sudanese refugees. “It cost only $5.66 (£4.26) per person [to transport them to the border]. I spend more than that on lunch every day,” he said.

“I am still shocked by the sheer number of people Betty was able to rescue. She is proof that people can achieve greatness if they are only given the opportunity and support needed.”


'We just want to live' – on the road with South Sudan's refugees

Alemi Charles, 47, from Yei, was among those safely evacuated to Uganda. He lives with his wife and two children in Kampala.

“I received Betty’s phone number and called her to tell her I was in trouble,” he said. “Betty told me to board any vehicle leaving Yei for Oraba, at the border, and she will pay for transport. She really saved my life.”

Asha has since returned to Kampala and resumed her second year of university. She is sponsoring Viola, a 12-year-old South Sudanese refugee she helped evacuate from Pukuka. The two of them live together in a one-bedroom apartment.

“I want to make a difference in the lives of people from Pukuka,” Asha said. “I keep receiving calls from Pukuka and Yei. I want to go back and help more [people] get out of South Sudan safely. Yei used to be a peaceful town. Now it’s not.”

Asha’s phone rings once more, as it does constantly throughout the day. She answers it again.

Millions of children fleeing war 'systematically denied' basic rights | Global development | The Guardian

As world leaders prepare to meet in New York for summit on refugees, charity War Child says urgent action is needed to protect displaced children
 
Refugee children from Syria play in a makeshift camp in Idomeni, Greece. Only 5% of humanitarian funding goes on child protection and education, according to War Child. Photograph: Orestis Panagiotou/EPA


Harriet Grant

Wednesday 14 September 2016 00.01 BSTLast modified on Wednesday 14 September 201600.10 BST

Chronic underfunding of aid programmes is having a devastating impact on child refugees around the world, the charity War Child warns, with vulnerable children being “systematically denied” fundamental rights such as access to education or protection from forced marriage.

War Child’s report, I’ve Moved but My Rights Haven’t, says the enormous and growing number of children who are forcibly displaced is making it more urgent than ever to set out a global plan of action for children forced to flee.

'I've seen things that nobody, especially a child, should ever have to see' Oscar

Recent research by Unicef says the next 10 years could see an enormous rise in the number of displaced children, with 63 million forced to leave their homes by 2025, more than double the current figure of 28 million.

Hannah Stoddart, director of advocacy and communications for War Child, says the shortage of funding is hitting children particularly hard.

“I’ve just come back from Za’atari [camp] in Jordan where many Syrian refugees have no source of income and often pull their children out of school to engage in illegal forms of child labour. There are zero opportunities for higher education and it’s really sad to see when the young girls have so much ambition.”

Stoddart says the needs of displaced children go beyond the basics of food and water. “Children who have fled violence are suffering extreme trauma … There is acute long-term damage when children are not supported through trauma, or are out of school.” She says there is also a risk of sexual violence, as girls may be married off at the age of 12 because their parents believe it will give them protection.

The global picture for funding all humanitarian response work is one of persistent and chronic underfunding, with appeals for Syria, Afghanistan and Somalia underfunded by around 60%.

But the report notes that children’s services are particularly poorly resourced. Only 5% of humanitarian funding is dedicated to child protection and education. Schooling was the least funded sector in almost a third of countries affected by conflict in 2015, with 73% and 85% of funding needs unmet in Iraq and the Democratic Republic of the Congo respectively in 2015.



Nearly half of all refugees are children, says Unicef

Adding to the complex picture of need faced by humanitarian groups working with children is the fact that more young people than ever before are travelling without their families. In 2015, nearly 100,000 unaccompanied minors applied for asylum in 78 countries (pdf), almost triple the number seen the year before. The report warns that in the next 10 years on current trends at least 300,000 child refugees will end up separated from their families.

Stoddart says the projected increase is related to the changing nature of hostilities. “The intensity and the protracted nature of the conflict means there are higher concentrations of people fleeing conflicts that seem to know no end. Syria is an illustration. It is intense, brutal and has been ongoing for six years. If there isn’t a dramatic change then people will flee, children will flee and families will be separated as they seize any opportunity for a better life.”

World leaders are due to meet in New York on 19 September for a high-level summit on refugees and migrants. In a pre-summit statement completed in August, negotiators removed an earlier promise to move one in 10 refugees to the developed world.

Emily Garin, Unicef’s policy specialist, says there will be a concerted effort to put the rights of children at the heart of discussions in New York. “We believe children should be the primary focus. The real tragedy is that children have been suffering because of conflicts not of their making, and that this is not new. There are children born into refugee camps in northern Kenya who are second- and third-generation Somali refugees. We hope we can turn outrage over individual child cases into care for the bigger issue.”

sábado, 6 de agosto de 2016

UNHCR steps up shelter programme in eastern Ukraine

This is a summary of what was said by UNHCR spokesperson William Spindler to whom quoted text may be attributed at the press briefing, on 5 August 2016, at the Palais des Nations in Geneva.

Luhansk resident Petro (left) talks to a UNHCR staff member during a mission to the region in eastern Ukraine.  © UNHCR/Daria Volkova
For the first time in five months, UNHCR convoys have reached conflict-affected populations in the non-government controlled area of Luhansk region in eastern Ukraine, delivering vitally needed construction materials for thousands of people who had their homes damaged or destroyed during the conflict.
Two separate convoys of 25 trucks each travelled with support from the World Food Programme (WFP) and local partners to deliver supplies that will enable UNHCR to expand its shelter programme in the region. The first 25 trucks arrived on Thursday and delivered 23,000 roofing sheets to the UNHCR warehouse in Luhansk.
Another 25 trucks arrived today (Friday) with cement, bricks, roofing material, tarpaulins and nails as well as kitchen sets, jerry cans and shoe dryers for use in winter.
Despite the ceasefire agreed in 2015, the security situation in eastern Ukraine remains tense and volatile. Flare-ups of hostilities continue to lead to daily casualties among civilians and the destruction of homes. UNHCR estimates that some 10,000 houses in non-government controlled areas of Luhansk have been damaged as a result of the conflict.
Since the onset of the conflict in 2014, more than 2 million people have been forced to flee their homes to seek sanctuary elsewhere in the country or abroad. Nearly 800,000, including the elderly and others in the most vulnerable categories, remain in need of assistance in or close to the conflict zone.
Many homes damaged by shell and mortar fire had their windows and roofs blown off. During an assessment mission to Luhansk in May, UNHCR officials met 77-year-old former construction worker Petro and his wife. They had lived in a tiny basement room – the only part of their shelled home that protected them from snow, rain and wind – for more than two years.
UNHCR remains extremely concerned about restrictions on freedom of movement that have aggravated hardships for people like Petro, who must also struggle to have access to benefits and entitlements – including pensions – on the government-controlled side.
A major problem is the limited number of checkpoints to cross the front line. In the Luhansk region, only one pedestrian checkpoint in Stanitsa Luhanskaya remains open, with people queuing up to eight hours to cross. Long lines of 200-400 cars were observed this week at checkpoints in the Donetsk region.
The payment of social benefits and pensions to Internally Displaced Persons has been suspended until their residential addresses have been verified. This is a major challenge, especially for the elderly, people with disabilities and other individuals with specific needs who face insecurity while waiting for long hours at check points without shelter or adequate sanitation. UNHCR renews its call to all actors to guarantee unrestricted access to benefits and rights to all displaced persons, regardless of registration status or current place of residence.
The delivery of humanitarian assistance has decreased to non-government controlled areas in the Luhansk region, as many UN agencies have not been able to operate there since February 2015.
This year the UNHCR team in Luhansk, working with a local construction company and volunteers, and in coordination with local village administrators, plans to complete the rehabilitation of 1,500 damaged houses by October 2016, in addition to 1,500 households repaired in 2015. About 1,100 families in 15 villages located close to the dividing line have already received construction materials, but 40 per cent of the targeted population will not be able to complete shelter works without UNHCR’s support.
For more information on this topic, please contact: